Menção Honrosa
Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (CODHAB)
Concurso Público Nacional De Estudo Preliminar De Arquitetura Para Unidades Habitacionais Coletivas na Região Administrativa de Samambaia.

local: Samambaia, DF
status: anteprojeto
projeto: 2016


PREMISSAS
No Brasil, os problemas de acesso à moradia representam uma dívida social proveniente da histórica desigualdade social. O direito a moradia digna, assegurado pela Constituição Federal de 1988, nem sempre é acessível.
A proposta para as cinco Unidades Habitacionais Coletivas em Samambaia parte de premissas que nos parecem essenciais: pensar a relação entre habitação e cidade, bem como usar a capacidade da arquitetura como agente transformador urbano e de inclusão social.
Em meio à grandiosidade dos espaços urbanos do entorno, busca-se a retomada da escala humana, da vivência urbana, além de uma relação de generosidade e troca entre edifício e cidade.

IMPLANTAÇÃO
Foram testadas várias opções de implantação durante o processo de concepção do projeto. Optou-se por priorizar 5 pontos fundamentais: orientação adequada; número máximo de unidades; simples adequação aos outros lotes; composição estética do volume; e boa relação edifício-cidade.
A implantação escolhida mostrou-se perfeita para, de forma simples, clara e eficiente, atender a todos as premissas estipuladas.
O projeto é constituído por dois blocos, um de seis e outro de sete pavimentos. Utiliza-se ao máximo o coeficiente de aproveitamento do terreno (900m² x 3,49 = 3.148,15m²), resultando ótimo aproveitamento de número habitações (53). Os subsolos foram resolvidos em meio nível, assim otimizou-se e relação área/vagas, diminui-se o volume escavado e permitiu um fluxo claro e continuo.

O EDIFÍCIO E O ENTORNO
A implantação proposta em dois volumes de diferentes tamanhos, além de formar um conjunto harmônico e amigável, permite ao edifício compartilhar uma pequena praça com a cidade, um espaço conciliador entre o público e o privado.
Através de caminhos retos projetados nas áreas públicas, conecta-se edificação e entorno. Enfatiza-se também a conexão com a ciclovia ao norte do lote ao propor um generoso bicicletário na base do edifício.
O olhar contínuo no térreo é garantido por fechamentos em vidro e elementos vazados, bem como pela resolução da primeira garagem em meio nível abaixo da cota térrea.
A circulação horizontal dá-se através de varandas abertas aos vazios e a cidade tratando a circulação não apenas como passagem, mas também como espaço de convívio e relações entre moradores, habitação e cidade.

APARTAMENTOS
As unidades habitacionais, com 41.07m² de área útil (sem contar paredes), mostram-se eficientes, tanto por suas proporções quanto em aspectos funcionais e de fluxo interno. Nos apartamentos, a área social fica voltada para circulação do edifício, já os dormitórios se abrem para a parte externa do lote, garantido silêncio e privacidade. A planta proposta pode ser facilmente adaptada a NBR9050 com a simples troca de equipamento sanitário.
Nos quartos, venezianas separadas das janelas permitem, além de 100% de ventilação e luz, o sombreamento e a privacidade dos dormitórios. O amplo vazio entre blocos garante a ventilação cruzada para todas as unidades, além de conferir boa iluminação nas faces centrais das habitações. A orientação de todas as aberturas é norte-sul, resultando excelente conforto ambiental para os apartamentos.

ESTRUTURA
A estrutura é constituída de dois sistemas estruturais
complementares, onde o térreo e subsolos serão em concreto armado convencional e a partir do embasamento nasce a alvenaria estrutural em blocos de concreto. A transição entre os sistemas será econômica, pois respeita o mesmo módulo em ambas as técnicas. Assim, os apartamentos ficam livres de pilares ou paredes estruturais, suas divisões internas serão em drywall, portanto facilmente adaptável às necessidades de cada morador. A racionalidade estrutural e de instalações hidro sanitárias forma um plano de construção eficiente, simples e barato, sem prejudicar a qualidade espacial. Propõem-se uma arquitetura que, mesmo sendo econômica, desmistifica a ideia de que habitação social esteja ligada a uma “arquitetura inferior”.

SUSTENTABILIDADE
Além da orientação adequada e da ventilação cruzada em todos os apartamentos, o projeto também traz outras possibilidades de práticas sustentáveis. As áreas comuns recebem abundante ventilação e iluminação natural, é previsto um sistema de aproveitamento da energia solar e reuso de água. Os materiais utilizados na obra são de fácil acesso e baixa emissão de carbono.

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A permeabilidade visual do térreo induz segurança ao redor do prédio, permite enxergar tudo que ocorre no entorno, sem perder o fundamental controle da área privada do prédio.
A sugestão de inserir a arte na empena voltada a praça de entrada incentiva a produção artística e cria um sentimento de pertencimento e inclusão nas pessoas. A pequena praça de acesso é um espaço de escala agradável e humana, será um ponto de encontro não só para os moradores, mas toda a comunidade do entrono, um benefício social.